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05/09/2008 - Poesia

Soneto ao Rio Paraopeba

O mar é grandioso porque se fez humilde: posicionou-se em um nível mais baixo, e acolheu a todas as águas, já vigorosas dos grandes rios, que, em algum lugar, são pequenas nascentes. E todas as águas buscam a humildade - "último degrau da sabedoria" - ao seguirem para o mar, encontrando-se umas com as outras.

Soneto ao Rio Paraopeba

Tão humilde, em sua nascente casta,
Sua água, ao brotar, já proporciona a vida.
Pelas Minas Gerais perfaz sua corrida
Cada vez mais longe: ser nascente não basta.

Essa mesma água vai sofrendo a nefasta
Presença humana: a terra erodida,
A retirada das matas, as águas servidas...
Vai unindo-se de córregos, e consigo os arrasta.

Mesmo em forma de rio, ainda é nossa "fonte"
De riqueza, prazer, conforto em nossas casas.
Mas continua humilde, e há explicação:

A nascente busca o baixo e, ao descer do monte,
O rio Paraopeba - Rio de Águas Rasas,
Vai beijar São Francisco com devoção.


Escrito por: Lenice Neves Guimarães - Rio Manso/MG
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